A Neurociência moderna

por Isabela Dias de Oliveira

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A Neurologia e a Neurocirurgia estão entre as especialidades mais delicadas da Medicina. Nos últimos anos, o campo da neurociência vem passando por diversas transformações e avanços, em especial a busca por maior apoio dos planos de saúde para doenças neurológicas e estudos para resultados positivos em cirurgias. A Escola Médica de Pós-Graduação da PUC-Rio apresenta essas especializações desde 1960 no caso do curso de Neurologia e 1961 no de Neurocirurgia, tendo o Prof. Sérgio Novis e o Prof. Paulo Niemeyer, respectivamente, como os coordenadores dos cursos.

A complexidade e a delicadeza da Neurologia podem ser vistas na medida em que somos o que o nosso cérebro é. O Prof. Novis explica essa complexidade usando a suposição de algum dia ser possível um transplante de cérebro: “No dia que, por uma evolução extraordinária da ciência, transplantar um cérebro, vai ser um problema sério. Porque, se passar o seu cérebro pra mim, ao acordar da anestesia, eu serei você. Então, transplantar cérebros exigiria um cuidado muito especial, porque quem vai morrer é o receptor. O doador se perpetuaria no corpo do receptor”.

Sendo considerado o órgão mais nobre do corpo humano com tecido nervoso extremamente delicado, os cuidados que cercam o cérebro humano são ainda mais específicos. Em março de 2015, o European Medical Center (GEM) se tornou a primeira instituição entre grupos clínicos privados que abriu, em Moscou, uma clínica de Neurologia e Neurocirurgia como parte do hospital multifuncional. Nele, sob o comando do Professor Alexey Krivoshapkin, serão realizados projetos e pesquisas para aumentar as perspectivas em casos e cirurgias.

Entres os projetos do GEM que possuem o apoio de parcerias está o desenvolvimento de um sistema de hardware que ajuda a determinar a total resseção do tumor cerebral após a cirurgia. Outros projetos desenvolvem tecnologias de última geração nas operações em vasos e em estruturas cerebrais. O desenvolvimento de novas tecnologias ajudará no curso das cirurgias e poderá resultar na maior precisão de avaliações, análises e resultados. Dessa maneira, se espera aumentar a expectativa de vida nos pacientes em cirurgias neuro-oncológicas.

A batalha por maior atenção e cuidado é travada por muitos portadores de doenças neurológicas. O que muitas vezes é pensado como uma crise de dor de cabeça, pode estar associado a casos de doenças neurológicas de curto ou longo prazo. Segundo a chefe executiva do Neurological Alliance na Grã-Betânha, Arlene Wilkie, os pacientes com condições neurológicos estão sendo considerados como “pacientes invisíveis”, tendo suas condições muitas vezes ignoradas por seus planos de saúde.

Um dos grandes problemas também é encontrado na falta de aceitação das comunidades junto aos pacientes. A falta de planejamento e pesquisa quanto as questões locais levam a falta de reconhecimento, afligindo uma população que muitas vezes necessita de tratamento especial. “Precisamos de uma ação urgente para hoje, para que milhões de pessoas que vivem com condições neurológicas recebam o cuidado e atenção que merecem”, alerta a chefe executiva.

O Prof. Novis vê os caminhos que a neurociência vem tomando como um progresso inimaginável. “O conhecimento, por exemplo, de biologia molecular. Hoje, se tira um tumor cerebral, manda para um laboratório de genética para estudar aquele tumor, e informa qual o quimioterápico que mais vai atuar naquele tumor, se ele vai responder ou não à radioterapia. Então estamos vivendo, de fato, o admirável mundo novo”. Apesar de ainda estarmos longe de transplantes cerebrais, os caminhos seguem uma nova realidade. A necessidade de melhores diagnósticos, tratamentos e cuidados em pacientes neurológicos é uma realidade.