Obesidade infantil já pode ser considerada uma epidemia

por Priscilla Moraes

Dados da pesquisa de orçamentos familiares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Ministério da Saúde, realizada em 2008-2009, indicam que em 20 anos os casos de obesidade mais do que quadruplicaram entre crianças de 5 a 9 anos. Hoje, no Brasil, uma em cada três crianças com essa faixa etária e, pelo menos, 40% da população brasileira está acima do peso adequado. Esse cenário, com ritmo alarmante de crescimento no Brasil, está acontecendo em todo o mundo, e por isso já é tratado pelos especialistas como epidemia.

 Prof. Walmir Coutinho

Prof. Walmir Coutinho

As principais causas da obesidade infantil são sedentarismo e hábitos alimentares inadequados, que segundo Prof. Walmir Coutinho, Coordenador do Curso de especialização em Endocrinologia da Escola Médica de Pós-Graduação da PUC-Rio, vem se tornando cada vez mais comum devido ao uso excessivo de aparelhos eletrônicos e ao forte apelo das propagandas de fast food, salgadinhos fritos e biscoitos recheados.

Um estudo publicado pelo New England Journal of Medicine mostra que a obesidade infantil aciona diversos problemas de saúde que afetam a expectativa de vida do indivíduo. Entre esses problemas, os mais frequentes são a diabete, hipertensão e doenças cardiovasculares. Segundo um artigo do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, a expectativa de vida poderá diminuir de cinco a vinte anos se a obesidade persistir até o inicio da idade adulta.

O tratamento para reverter esses fatores consiste em uma alimentação equilibrada e na prática de exercício físico. Mas o Prof. Coutinho também alerta para a importância da família no tratamento: "O tratamento implica esforço também da família, incentivando e praticando hábitos saudáveis, os quais uma criança dificilmente irá adquirir sozinha".

O endocrinologista também fala sobre a importância de políticas no estímulo a hábitos saudáveis e na proteção das crianças contra o meio ambiente de consumo de fast food. "A ANVISA criou uma portaria para tratar dessas questões, mas está parada por um problema judicial com empresas do ramo alimentício", informa o professor Walmir Coutinho.