Doenças cardíacas podem ser combatidas bloqueando a ação de micróbios no intestino

Novo remédio que bloqueia a ação de micróbios no intestino pode diminuir o risco de trombose. Segundo estudo publicado na revista Nature Medicine, o medicamento reduz os níveis de N-óxido de trimetilamina (TMAO), uma molécula formada pelas bactérias do intestino ao digerir produtos de origem animal. Ela afeta a coagulação do sangue e a atividade plaquetária. A substância, quando presente no plasma sanguíneo, aumenta o risco de trombose, fator que contribui para as doenças cardíacas. 

 Trombose é uma complicação crítica das doenças cardíacas e pode ser evitada pelo inibidor de TMAO

Trombose é uma complicação crítica das doenças cardíacas e pode ser evitada pelo inibidor de TMAO

A pesquisa, coordenada por Stanley Hazen, da Clínica de Cleveland, envolveu testes com camundongos e determinou que uma única dose do medicamento causou reduções significativas nos níveis de TMAO no plasma sanguíneo. Desta forma, a inibição da produção desta molécula diminui o potencial de trombose, uma complicação crítica de doenças cardíacas. Além disso, ao contrário dos antibióticos utilizados atualmente, a nova classe de drogas impediu a formação da molécula, mas manteve as bactérias vivas, uma vez que são necessárias para a flora intestinal.

Para inibir a produção de TMAO, foi utilizado um medicamento com um mecanismo que “engana” a bactéria do intestino, pois a substância é análoga à colina. O nutriente está presente em alimentos de origem animal e é a sua digestão que forma a molécula prejudicial ao sistema cardiovascular. Segundo os pesquisadores, a reatividade elevada das plaquetas e a obstrução de veias por trombos são duas das principais causas de infarto do miocárdio, derrame cerebral e a maioria das mortes nos pacientes com problemas cardíacos.

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), 17 milhões de pessoas foram vítimas de problemas coronarianos em 2016. No Brasil, 300 mil pessoas sofrem infartos todos os anos, e o ataque cardíaco é fatal em 30% dos casos. O uso de agentes anticoagulantes representou um avanço no tratamento dessas doenças, mas existe a possibilidade de sangramento excessivo. Sendo assim, o agente inibidor da TMAO pode servir como uma nova modalidade terapêutica para diminuir o risco de trombose sem o risco aumentado de sangramentos.

Segundo Hazen, os resultados são promissores e serão realizados testes em humanos para garantir que o medicamento possa ser usado em pessoas.