Novo estudo revela que não existe nível seguro para consumo de álcool

Um novo estudo global publicado na revista científica The Lancet determinou que não há quantidade segura para o consumo de álcool. Segundo os pesquisadores, as vantagens relacionadas a doenças cardíacas são superadas pelos malefícios, como o risco de desenvolver câncer, lesões e doenças infecciosas. O risco de morte prematura aumenta até mesmo com o consumo de uma dose por dia. No Brasil, os números do consumo de álcool ultrapassam a média mundial, tanto em porcentagem de pessoas que bebem quanto em quantidade de doses diárias.

A pesquisa, considerada a mais significativa já realizada até hoje, analisou os níveis de consumo de álcool e os efeitos na saúde da população de 195 países entre 1990 e 2016. Os participantes, que tinham de 15 a 95 anos de idade, foram divididos em dois grupos: os que bebiam e os que não bebiam.

Dos 100 mil participantes que não consumiam álcool, 914 desenvolveram problemas de saúde relacionados à bebida. Por outro lado, aqueles que consumiam uma única dose por dia, apresentaram um risco 0,5% maior de adoecer. Quando o consumo era de 2 doses diárias, o risco aumentou para 7%. Cinco doses significaram um aumento de 37%. A dose considerada pelo estudo é de 10 gramas de álcool puro. Em média, uma taça de vinho de 150ml com 12% de teor alcoólico tem o equivalente a 14g.

Segundo os cientistas, os resultados são claros: o álcool é um problema colossal de saúde mundial, e os pequenos benefícios relacionados à saúde cardíaca, por exemplo, são superados pelo risco aumentado de outras doenças, como o câncer, doenças infecciosas ou lesões.

 Uma em cada três pessoas no mundo consome bebidas alcóolicas

Uma em cada três pessoas no mundo consome bebidas alcóolicas

A partir do estudo, estima-se que uma em cada três pessoas no mundo consuma bebida alcóolica, que, por sua vez, foi considerado o sétimo principal fator de risco para morte prematura e incapacidade em todo o mundo em 2016. No Brasil, o estudo revelou que houve um aumento na média de doses diárias tanto de homens quanto de mulheres, e, no geral, mais homens estão bebendo.

De 1990 a 2016, a porcentagem da população brasileira que bebia passou de 68% para 71%, e as doses diárias aumentaram de 1,8 para 3. Por ano, o álcool está ligado a 2,8 milhões de mortes no mundo. Entre as causas de morte relacionadas ao álcool, o câncer foi a principal, responsável por 27,1% das mortes em mulheres e 18,9% das mortes em homens com 50 anos ou mais.