Imunoterapia pode frear metástase no cérebro

Um novo estudo revelou que a imunoterapia pode frear metástases do melanoma no cérebro. Este tipo de câncer, considerado o câncer de pele mais grave, tem mais chance de se espalhar para o cérebro do que a maioria. O estudo, publicado no New England Journal of Medicine, se baseou em uma combinação de duas drogas que ativam o sistema imunológico, e revelou que os remédios diminuíram os tumores no cérebro de vários pacientes de melanoma, aumentando a expectativa de vida.

O estudo envolveu 94 pessoas em 28 centros médicos nos Estados Unidos e as drogas utilizadas foram ipilimumab, cujo nome comercial é Yervoy, e nivolumab, chamado comercialmente de Opdivo. Ambos pertencem à classe de fármacos chamada inibidores de checkpoint, que permitem e estimulam o sistema imune a combater o câncer. Esse tipo de terapia, chamada de imunoterapia, já apresentou grandes remissões em pacientes com câncer agressivos, como o do rim ou o próprio melanoma. No entanto, as drogas não funcionam em todos os casos.

 O melanoma é considerado o câncer de pele mais agressivo

O melanoma é considerado o câncer de pele mais agressivo

O melanoma tem mais “facilidade” de se espalhar para o cérebro e, quando chega lá, menos de 20% dos pacientes sobrevivem por mais de um ano com os tratamentos convencionais. Esse índice aumentou para 82% quando foram administrados os medicamentos. 

 Segundo Dr. Hussein A. Tawbi, um dos autores do artigo, os resultados devem mudar o protocolo de tratamento com os pacientes de melanoma similares aos participantes do estudo recebendo o mix de medicamentos como tratamento inicial. No entanto, a radiação ainda seria uma parte importante do tratamento para muitas pessoas. Os cientistas alertaram que os resultados não se aplicam a todos os pacientes de melanoma, apenas aos que se assemelham aos participantes do estudo, que tinham um ou mais tumores cerebrais originados de metástase, assintomáticos e detectados por um exame de imagem. Mesmo sendo limitado, o resultado traz esperança para os que sofrem com a doença.

Com um acompanhamento médio de 14 meses, 57% dos pacientes tiveram uma melhora com o tratamento. Em 26% dos casos, tumores cerebrais desapareceram, e, em outros 30%, diminuíram.  Em mais da metade dos pacientes o tratamento também funcionou para a metástase do melanoma em outras partes do corpo.

Até recentemente, os pacientes cujo câncer tinha ido para o cérebro eram casos com um péssimo prognóstico, que nem participavam da maioria dos testes clínicos de novos medicamentos. A expectativa de vida era de semanas ou de meses. A radiação e a cirurgia ajudavam, mas os tumores geralmente voltavam, causando dificuldades neurológicas.

Apesar dos resultados promissores, as drogas apresentam efeitos colaterais que podem ser sérios, causando uma desistência de 20% dos participantes. Alguns deles tiveram dor de cabeça, inchaço no cérebro e um óbito por inflamação no coração aparentemente causada pelo tratamento.